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domingo, 3 de outubro de 2010

Às vezes ainda me sinto assim...

Já passou um ano desde que começámos a tentar a nossa estrelinha, e nove meses desde que a perdemos!

Penso que já posso dizer que ultrapassei esse mau bocado, mas mesmo assim, quando me lembro fico triste...

Triste por não ter aguentado a nossa estrelinha dentro de mim!

Triste por pensar que nesta altura já podia ter um bebé lindo nos braços!

Triste por ver amigas que engravidaram depois de mim já terem as suas estrelinhas consigo!

Triste por ver tantas gravidezes felizes e a minha não ter sido assim!

Triste por constatar que há por aí muito boa gente que nada faz para merecer o dom da maternidade e, mesmo assim, e sem o tentar o consegue e ainda se queixa!

E ultimamente estes pensamentos invadem-me com bastante frequência (muito mais do que eu gostaria), talvez até por este desejo de ser mãe ser cada vez mais forte e por continuar a achar que é tudo muito injusto... e quando isto acontece sinto-me assim bem pequenininha!

Imagem retirada da internet

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Temos mesmo que "sobreviver"...

E aqui vai mais um pouquinho da minha história...

Algum tempo depois de eu ter perdido a minha sementinha (pois porque de início eu não queria nem pensar no que tinha acontecido), comecei a pesquisar na net sobre o assunto. Lia (e leio) tudo o que me aparecia à frente, devorava fóruns e blogs de pessoas a quem tinha acontecido o mesmo... De certa forma isso ajudou-me a ultrapassar essa fase menos boa e a entender que não estou sozinha no mundo e que existem muitas mais pessoas como eu, que muitas vezes sofrem caladas e, pior que isso, sozinhas...

É realmente maravilhoso sentirmo-nos entendidas e sabermos que as pessoas sabem mesmo do que estamos a falar por já terem passado pelo mesmo ou por algo semelhante, sabendo no fundo que o que nos dizem não são apenas palavras vazias...

Ontem decidi registar-me num desses fóruns que encontrei e realmente aquilo mais parece uma família gigante, com imensas pessoas para nos apoiarem... Há pouco encontrei lá um artigo bem interessante sobre como "sobreviver" a um aborto e queria partilhá-lo aqui (quem sabe o meu blog um dia destes também não ajuda alguém a ultrapassar uma fase má como a que eu vivi...)

Aqui vai o link:

Pensar de mais faz mal!

Agora que a nova temporada de treinos está oficialmente aberta, começam a surgir novos medos e incertezas...

Será normal sentir tanta dúvida quando se pensa em ter o 1º filho? Pelos vistos parece que sim... ou estou enganada?

Mas o que mais me preocupa é o medo que sinto de que tudo se vai repetir e que de novo não vou conseguir levar a próxima gravidez até ao fim... Eu bem tento ser optimista, mas esse pensamento teima em permanecer na minha cabecinha, que às vezes só pensa o que não deve. Bem que eu me tento abstrair, mas este pensamento sufoca. Desde que vim do Centro de Saúde ontem, com o OK da médica, que me sinto um pouco ansiosa. Mas talvez seja só por estar à espera que me venha a menstruação, que já no mês passado veio beeem tarde só para me deixar mais aflita ainda (espero bem que seja isso).

Bom, ao menos já olho para as grávidas de modo diferente do que fazia quando perdi a minha sementinha. Não gosto nem de falar nisso, mas eu sentia uma espécie de inveja quando via outras meninas barrigudas e principalmente quando uma amiga minha me disse que tinha conseguido engravidar. Sinto-me até mal por ter pensado assim, mas para além da alegria que senti de ela estar tão feliz pensei "porque não foi assim comigo?"

E o pior de tudo é que ainda hoje, passados mais de 3 meses, dou por vezes comigo a pensar que já deveria de estar de não sei quantas semanas, se tudo tivesse corrido bem. E então bate uma tristeza cá dentro, algo inexplicável, algo que as pessoas que estão ao meu redor nem notam, só se eu falar do assunto...

Mas prefiro então vir aqui desabafar e receber algum apoio de pessoas que talvez já tenham passado o mesmo ou que pelo menos têm o mesmo sonho que eu e de alguma forma me entendem melhor...

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Uma tentativa falhada...

Finalmente criei coragem para expor aquilo que me tem vindo a atormentar há uns meses... a tentativa falhada de uma gravidez...

Já há algum tempo que eu andava a pensar em ter filhos, na altura ideal (se bem que sou apologista de que não existe altura ideal para isso) e tudo o que envolve a gravidez. No entanto, como queríamos ter uma condição melhor decidimos primeiro dedicar-nos à construção da nossa casa, o que conseguimos terminar no final do ano passado (fizemos a mudança uns dias antes do Natal).

Em Junho/09 quando fui a uma consulta de Planeamento decidi pedir já todos os exames necessário para ver se estava tudo bem comigo ou se haveria algum problema em engravidar. A médica mandou-me fazer um batalhão de exames e análises e constatou que estava tudo bem. Só teria que deixar de tomar a pílula e aguardar uns 2 ou 3 meses para começar então a tentar.

E assim foi. A partir de meados de Setembro lá estávamos nós a treinar, ainda cheios de dúvidas e incertezas. E foi no dia 17 de Dezembro (com um atraso de mais de 10 dias - como sou muito irregular decidi esperar esse tempo todo) que andei loucamente de um lado para o outro para conseguir fazer um teste de gravidez no laboratório de análises. E ao início da tarde lá estava eu com a confirmação da gravidez na mão... Uma vez que eu só iria voltar para casa à noite, depois do trabalho, dei a boa nova ao meu marido por telefone, o qual ficou literalmente sem palavras.

Inicialmente tínhamos decidido dar a notícia aos nossos pais durante o jantar de Natal, que seria cá em casa. No entanto, não coubemos em nós de tanta felicidade e em poucos dias já tínhamos contado às pessoas mais próximas que eu estava grávida.

Ainda hoje acho tudo muito estranho. É difícil conseguir explicar, mas parece que tudo não passou de um sonho... talvez pelo facto de tudo ter acabado tão depressa, o que nem nos deu hipótese sequer de nos habituarmos à ideia de que realmente íamos ser "papas".

Infelizmente, no espaço de uma semana, toda essa nossa alegria acabou de um momento para o outro. Mal nos habituámos à ideia... e já no dia 23 (dia do meu aniversário) a meio da limpeza da casa (eu andava a limpar tudo para receber as visitas no dia a seguir) comecei a ter um corrimento um pouco cor-de-rosa. Na altura com o susto deitei-me e fiquei assim bem quietinha, à espera que passasse. Inicialmente até que melhorou e eu estava mesmo confiante que não era nada (já tinha lido tantos casos em que isso acontecia para depois verem que afinal estava tudo bem) mas à noite, durante o jantar com os meus pais e uns amigos nossos senti um corrimento maior. Fui logo à casa de banho e nem queria acreditar quando vi sangue vivo.

Fomos "a correr" para o hospital e lá nem estive muito tempo à espera para ser atendida, mas infelizmente o médico não era dos melhores, pelo menos no que diz respeito a simpatia e sensibilidade para com os pacientes...depois de me fazer uma ecografia (na qual eu consegui ver um saquinho minúsculo) e de me dizer umas parvoíces (que eu até prefiro esquecer) lá me disse todo arrogante que eu estava com uma ameaça de aborto e que devia repousar e voltar lá passado uma semana, ou antes caso a hemorragia piorasse. Por incrível que pareça, eu saí de lá bem mais tranquila e confiante de que tudo não passaria de um susto e talvez um aviso para eu acalmar um pouco e "correr" menos... mas infelizmente não ficámos por aqui.

Durante a noite acordei muitas vezes devido a dores fortes e de cada vez que eu ia à casa de banho voltava para a cama a chorar por ver que a hemorragia não tinha acalmado, mas sim piorado bastante. De manhã, bem cedinho decidimos ir de novo à urgência. Antes de sairmos, quando estava na casa de banho o inevitável aconteceu. Ali mesmo o meu corpo expulsou aquela coisinha que um dia viria a ser o nosso bebe (nem gosto de recordar a imagem, a qual infelizmente teima em não sair da minha cabeça).

Mesmo sabendo que já não havia nada a fazer, fui ao hospital para ser examinada (cheia de medo de lá estar o mesmo médico). Felizmente era outra médica que lá estava, a qual confirmou que eu tinha sofrido um aborto espontâneo - até esta altura eu estava bastante calma, mas quando ela me disse isso durante a ecografia, as lágrimas começaram-me a escorrer pela cara abaixo e eu ali sem saber o que pensar da vida. Depois de me voltar a vestir a Drª teve uma conversa comigo (o que me acalmou bastante) e até hoje recordo várias coisas que ela me disse, incluíndo uma comparação bem diferente que ela fez (disse que nós somos como as galinhas - elas nem sempre conseguem chocar os ovos todos, porque alguns não são viáveis e o mesmo acontece connosco, mas nós temos a infelicidade de só pode"chocar" um de cada vez e por vezes calha de ser o "ovo" menos bom). A conversa com ela animou-me bastante e mesmo havendo uma ferida aberta na minha alma, tentei passar os dias festivos da melhor forma possível, não transparecendo para fora aquilo que realmente se estava a passar dentro de mim.

Até hoje não sei se fiz bem ou se fiz mal, se devia ter chorado mais ou se me devia ter isolado e encarando isto tudo de forma diferente. Só sei que esta foi a forma que consegui arranjar para seguir em frente, sem me deixar abalar de mais e sem esquecer tudo o que está à minha volta. Talvez este comportamento possa ter parecido insensível da minha parte, mas foi a maneira que arranjei de fazer tudo parecer menos triste e de seguir com a minha vida em frente, pelo menos no que diz respeito à dor física, pois a psicológica é bem mais difícil de ultrapassar e não sei até que ponto já estará curada.

De qualquer forma, mesmo não tendo esquecido o que aconteceu (e nem penso que algum dia consiga esquecer), não quero fazer disto o centro da minha vida. Quero seguir em frente, e continuar a lutar pelo nosso sonho, na esperança de não voltar a viver um Natal como o que passou e que daqui para a frente este sonho seja cada vez mais querido por nós dois.

Desejo muita força e esperança a todas as pessoas que já passaram pelo mesmo e só espero que não desistam nunca, pois se os obstáculos são postos no nosso caminho, é para serem ultrapassados.

PS: desculpem o tamanho do texto, mas mesmo assim parece que ficou tanta coisa por dizer... quem sabe eu não vá completando estas minha ideias mais para a frente...